(série em três capítulos)
Dias duros virão certamente. De
minha parte, tive o privilégio de pertencer a uma geração que se beneficiou do
trabalho de uma gente intrépida, combativa, que enfrentou altivamente a
ditadura militar aqui instalada em 1964 e que durou a eternidade de ‘vinte e um
anos’.
Corta para 2026. O que nos ameaça
neste momento é uma espécie de tirania dinástica, que só encontra paralelo lá
nos tempos bíblicos. Eu me refiro a Herodes, o tirano a quem Jesus se referiu
como “aquela raposa”, cuja família subjugou por um século os judeus e seus
conterrâneos. Pois aqui, no alvorecer deste milênio, há uma espécie de “raposas
bozós” que nos atormenta. Essa casta de predadores poderá rapinar o meu país
por muitas décadas, caso o ‘miliciano’ vença o pleito. [Deixo aqui um pedido de
perdão às inocentes raposinhas, que não têm culpa de minhas aflições]
Neste momento acaba de sair uma
pesquisa apontando ligeira vantagem daquele candidato. Muito estranho isso,
porque as alternativas são ‘civilização ou barbárie’, mas parece que a maioria
prefere a segunda opção.
A minha ansiedade não se dá
exatamente por assistir à uma disputa eleitoral, algo bastante corriqueiro para
mim, que sou “um senhor de muitos dias”. O problema é que esta não é uma
eleição normal como tantas outras que vivenciamos. Aqui nos encontramos à beira
de um precipício, como já descrito a algumas linhas acima.
Por esses dias, em contato com “Como
as democracias morrem”, livro de autoria de dois norte-americanos que dão aula
de ciência política em Harvard, fiquei muito preocupado com os ventos autoritários
que varrem o Globo e já roçam o Brasil. Aquela obra, como outras que discorrem
sobre regimes ditatoriais, deveria ser obrigatória nas escolas secundárias para
todos: alunos, professores e principalmente gestores. Os autores dão um
panorama geral de todas as tiranias que assolaram a humanidade, desde o nazismo,
fascismo e demais regimes despóticos europeus, depois passando pelas ditaduras
latino-americanas até desembocar no primeiro governo Trump, onde termina o arco
temporal de ‘cem anos’ daquele estudo. Os autores também descrevem as iniciativas
bem-sucedidas de alguns países que interromperam o curso de sanhas autoritárias,
neutralizando politicamente os líderes.
É isso mesmo, caro e raro leitor. Um século após a
ascensão de Hitler e Mussolini, quando pensávamos já estar superado e sepultado
aquele ciclo de violência que matou muitos milhões ao longo do século passado,
a história parece se repetir com fúria diabólica – desde o Oriente, passando pela Velha Europa e
chegando às Américas.
O que faremos?
No Brasil, talvez pudéssemos ao menos adiar a sorte
infame, que é o pesadelo de ter na Presidência da República um “ser herodiano”.
Caso o “inominável” seja eleito... Adeus, políticas públicas. Adeus, meio
ambiente. Adeus, democracia.
filipe


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