Sim, pode parecer estranho, mas ‘Bruxa’
é o verdadeiro nome de Paulo Eduardo Belizário – pelo menos para o seu círculo
mais íntimo, do qual orgulhosamente faço parte.
Pois é... o Bruxa, companheiro de
tantas festinhas, partiu inesperadamente no anoitecer de ontem. Estávamos preparando
uns petiscos para comemorar o Dia das Mães com as mães da família, mas não deu.
O Bruxa decidiu ir para outra “festa”, onde a alegria não termina.
Vai ficar um enorme vazio nos
nossos encontros, porque o Bruxa era o mais divertido, o mais animado e ele era
também uma pessoa que ‘conseguia nos irritar sem aborrecer’. Pode parecer
estranho, eu também acho, mas muitas vezes o Bruxa me irritou com suas provocações.
No entanto, eu nunca fiquei aborrecido com ele. “Mas como pode isso?”, você
deve estar perguntando. Vou explicar.
Quem me conhece sabe que eu não gosto
de reuniões. Qualquer encontro em que se agrupam três pessoas já fico
incomodado e, podendo, arrumo um jeitinho de “sair à francesa”. Mas com esse
grupo do qual o nosso amigo fazia parte é diferente. Todas as vezes que alguém convida
para um almoço, churrasco ou até mesmo um simples café, eu compareço de bom
grado. Gosto muito de me reunir com esse povo e não é de agora. Participo desses
eventos há muitos anos. Seja aniversário, Natal, Ano-Novo ou um festejo sem “grife”,
lá estou eu, comendo, bebericando, discutindo política, futebol, religião... essas
coisas das quais não entendo bulhufas – nem eu nem você, né Bruxa?!
O que o Bruxa tinha de interessante
pra me fazer seu admirador tão devotado? Parece difícil responder essa
pergunta, porque o Bruxa criticava tudo o que me é caro. Falava mal da minha
igreja, das minhas fontes de informação, da minha postura política, de tudo! Sim,
ele sempre me criticou, me irritava, mas nunca me aborreceu. Sabe por quê?
Porque ele dizia essas coisas diretamente pra mim. Ele não falava de mim;
falava comigo. E falava essas coisas em tom de mofa, porque ele sempre foi um simpático
bazofeiro. Não havia nas palavras do Bruxa nenhuma intenção de ferir alguém, e
disso eu tenho certeza. O Bruxa tinha um jeito “meio infantil” de se relacionar
com as pessoas, e isso às vezes incomodava alguns. Mas nele não havia maldade, porque
a sua espontaneidade era genuína, de uma pureza quase angelical.
Ah, tem mais. O que eu mais admirava
no Bruxa é a caridade! Nunca, jamais aconteceu de algum pedinte sair da casa
dele sem um lanche ou um prato de comida. O Bruxa foi um homem boníssimo. Ele dava
comida aos pobres, procurava advogados ou repartições públicas para aposentar pessoas
deficientes e desassistidas, participava ativamente dos embates na Câmara Municipal
contra projetos lesivos aos munícipes, e muito mais.
O Bruxa vai fazer muita falta pra
nós, seus amigos e familiares, e pra muita gente que nem conheço. No entanto,
reitero aqui aquela máxima: “Quem faz o bem, recebe o bem e continua fazendo o
bem, mesmo que esteja no Além”. Obrigado, Bruxa. Continue cuidando da sua gente e de seus bichinhos.
FILIPE

Nenhum comentário:
Postar um comentário