30) O taxista, embora jovem, é um velho
conhecido da família. Na adolescência, convivi com seus já falecidos avós paternos,
de quem fui amigo.
O carro avançava pelas ruas estreitas
de Guiricema rumo à “Praça”, como dizem os locais em referência ao centro da
cidade. De lá, partimos em direção à Rua Nova, mas não seguimos adiante, pois descemos
à direita e pegamos a ponte que dá acesso à “Estrada Nova”, que é uma das vias que
ligam a sede do município ao arraial de Corgo
Preto.
Percorridos uns dois quilômetros, paramos
na vendinha da minha irmã, um mercadinho de “secos e molhados” que atende as
famílias camponesas daquela redondeza. Desci, cumprimentei a mana, perguntei
pelos filhos e esposo. Eles estavam cada qual na sua ocupação: trabalho ou
estudo. Foi uma parada rápida, porque eu teria de fazer uma série de visitas e
meu tempo era bem escasso. Voltei ao carro e o motorista, que me aguardava
pacientemente, arrancou para o próximo destino, dessa vez a casa de outra irmã.
Menos de dez minutos depois, saímos daquela
“estrada nova” e entramos numa vicinal que dá acesso ao sítio da família, onde
fui criado. Ao ouvir barulho de um automóvel chegando, a irmã, que certamente
estava à máquina de costura, saiu para ver quem chegava.
Sorridente, como sempre, ela veio
calorosa e nos convidou a entrar. Não, eu não poderia entrar, mas apenas dar
uma passadinha e seguir para Corgo Preto
– declinei do convite. Foi aí que me surgiu uma ideia reluzente: convidar a
irmã para nos acompanhar. Ela agradeceu, disse que estava apertada de serviço, tinha
muita costura pra entregar etc. Aproveitei esse aperto de serviço dela pra vazar
rápido e seguir viagem. Despedimo-nos e saímos apressados.
31) Chegamos a Corgo Preto, mas decidi ir além. Eu precisava fazer três visitas
rápidas: a um casal de tios, a um casal de amigos adoentados e a uma senhora,
também adoentada, a quem visito com relativa frequência. Antes, porém, decidi
avançar para Dom Silvério – um outro povoado situado ao pé da serra. Na
verdade, eu não iria até Dom Silvério, mas próximo dali. Eu quis rever uma
ex-professora, com quem nunca mais tive contato desde os tempos de ginásio. O
motorista sabia o caminho, mas eu não.
A certa altura, saímos da estrada
principal que liga Corgo Preto a Dom Silvério e entramos numa
estradinha estreita. Passamos por uma porteira, que eu abri e fechei; depois
outra, que abri e deixei aberta. Enfim, chegamos a uma bela casa próxima a um
pomar de mangueiras gigantes. Aquilo ali é realmente um encanto!
Quando o taxista estacionou no terreiro,
dois cachorros apareceram para um alarme, mas se recolheram em seguida. Depois
veio a professora e, um pouco atrás dela, o esposo. Eu me apresentei, mas foi
desnecessário. Ela disse que me reconheceu de cara, mas só nunca imaginava que eu
fosse aparecer ali pra essa visita.
Pretendo escrever um texto exclusivo
sobre essa professora, mas isso será num outro momento.
(continua)
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