sábado, 19 de setembro de 2026

MEMORIAL DE VIAGEM – PARTE 15

 

30) O taxista, embora jovem, é um velho conhecido da família. Na adolescência, convivi com seus já falecidos avós paternos, de quem fui amigo.

O carro avançava pelas ruas estreitas de Guiricema rumo à “Praça”, como dizem os locais em referência ao centro da cidade. De lá, partimos em direção à Rua Nova, mas não seguimos adiante, pois descemos à direita e pegamos a ponte que dá acesso à “Estrada Nova”, que é uma das vias que ligam a sede do município ao arraial de Corgo Preto.

Percorridos uns dois quilômetros, paramos na vendinha da minha irmã, um mercadinho de “secos e molhados” que atende as famílias camponesas daquela redondeza. Desci, cumprimentei a mana, perguntei pelos filhos e esposo. Eles estavam cada qual na sua ocupação: trabalho ou estudo. Foi uma parada rápida, porque eu teria de fazer uma série de visitas e meu tempo era bem escasso. Voltei ao carro e o motorista, que me aguardava pacientemente, arrancou para o próximo destino, dessa vez a casa de outra irmã.

Menos de dez minutos depois, saímos daquela “estrada nova” e entramos numa vicinal que dá acesso ao sítio da família, onde fui criado. Ao ouvir barulho de um automóvel chegando, a irmã, que certamente estava à máquina de costura, saiu para ver quem chegava.

Sorridente, como sempre, ela veio calorosa e nos convidou a entrar. Não, eu não poderia entrar, mas apenas dar uma passadinha e seguir para Corgo Preto – declinei do convite. Foi aí que me surgiu uma ideia reluzente: convidar a irmã para nos acompanhar. Ela agradeceu, disse que estava apertada de serviço, tinha muita costura pra entregar etc. Aproveitei esse aperto de serviço dela pra vazar rápido e seguir viagem. Despedimo-nos e saímos apressados.

 

31) Chegamos a Corgo Preto, mas decidi ir além. Eu precisava fazer três visitas rápidas: a um casal de tios, a um casal de amigos adoentados e a uma senhora, também adoentada, a quem visito com relativa frequência. Antes, porém, decidi avançar para Dom Silvério – um outro povoado situado ao pé da serra. Na verdade, eu não iria até Dom Silvério, mas próximo dali. Eu quis rever uma ex-professora, com quem nunca mais tive contato desde os tempos de ginásio. O motorista sabia o caminho, mas eu não.

A certa altura, saímos da estrada principal que liga Corgo Preto a Dom Silvério e entramos numa estradinha estreita. Passamos por uma porteira, que eu abri e fechei; depois outra, que abri e deixei aberta. Enfim, chegamos a uma bela casa próxima a um pomar de mangueiras gigantes. Aquilo ali é realmente um encanto!

Quando o taxista estacionou no terreiro, dois cachorros apareceram para um alarme, mas se recolheram em seguida. Depois veio a professora e, um pouco atrás dela, o esposo. Eu me apresentei, mas foi desnecessário. Ela disse que me reconheceu de cara, mas só nunca imaginava que eu fosse aparecer ali pra essa visita.

Pretendo escrever um texto exclusivo sobre essa professora, mas isso será num outro momento. 


(continua)

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