Ninguém me pediu opinião sobre a
condenação da cúpula golpista, mas estou dando o meu parecer, embora não sem
antes dar vivas à Carmen Lúcia, essa destemida norte-mineira que honra como
poucos a toga que veste. Dona Carmen é diferente, porque ela chegou ao STF sem
que tenha feito rapapés nem beija-mãos. Dos onze integrantes da corte, ela é a
única que não está e nunca esteve amarrada a compadrios. A única!
Admiro o Flávio Dino, a quem
atribuo qualidades de um estadista – atualmente, na minha opinião, o maior nome
da nossa República. No entanto, neste momento quero exaltar a mineirinha de
Montes Claros, porque foi o voto dela que selou o destino dos golpistas. Segundo
os estudiosos, essa é a primeira vez que o Brasil julga e condena conspiradores
que atentaram contra a democracia. E já foram vários atentados, pelo menos
quinze!
Agora me surgiu uma dúvida: será
que os réus vão para a gaiola? Sinceramente, penso que não. No Brasil, cadeia tem
sido o destino de pobre e de preto; a grã-finagem, quando condenada, costuma
“cumprir pena” em ‘prisão domiciliar’, ou seja, na mansão onde mora.
Todavia, se eu pudesse resolver
essa parada, o Bozó e os seus generais não iriam para a cadeia. Sabe por quê?
Porque cadeia custa caro. Qual a alternativa então? Ah, muito simples. Todos
eles, sem exceção, teriam os provimentos e demais ganhos interrompidos durante
o cumprimento da sentença. A pena seria a de prestação de serviços como:
limpeza urbana, higienização de banheiros públicos, coleta de lixo nas ruas,
pintura de guias e outros "divertimentos" – tudo isso levando-se em conta as habilidades,
potencialidades ou “comorbidades” de cada apenado. A jornada deveria ser de quarenta
e quatro horas semanais e na escala ‘seis por um’ como todos nós, reles mortais,
suportamos e cumprimos. Ah, um benefício: ninguém passaria sede nem fome,
porque o poder público se encarregaria de fornecer água e marmitas. E as
férias? Nada de férias, porque já bastam os feriados, que são muitos, além dessa
enormidade de domingos ao longo do ano. Pra que mais folga?! Nada mais lhes
seria oferecido nem cobrado além da pena, que deveria ser cumprida
integralmente.
Voltando ao título desta, a
imagem que abre a crônica me faz imaginar a dona Carmen dando uma bronca no seu
colega “traíra”, uma descompostura nos conspiradores ou um chega-pra-lá naquele
‘ogro laranja’ estadunidense, que se acha o dono do universo e quer se meter no
nosso país. Vi essa foto no site da Folha, gostei tanto dela que a trouxe pra
cá. Porque ali está uma mulher aparentemente frágil, mas capaz de fazer chover
para garantir a soberania de seu país; e de fazer parar a chuva só pra conduzir
o seu povo a pés enxutos à liberdade.
Obrigado, dona Carmen!
FILIPE

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