Essa é a Maneka, a cachorrinha
mais fofa de que se tem notícia. Enquanto eu digito, ela está aqui ao meu lado,
dormitando no seu “trono”. Tiziu, Pitoko e Pituka também estão por aqui, cada
um na sua caminha, que é um pequeno estrado de madeira que fiz pra eles.
Se você está achando banal esta
crônica, acertou. É banalíssima! E quero que seja uma coisa bem boboca mesmo,
porque assunto “bom e sério” não falta, mas não quero tratar de "coisas boas" nem "sérias". Eu poderia discorrer sobre algo em voga como certo “religioso” midiático,
que tem o gozo de convocar velhas senhoras às quatro da madrugada para rezar,
como se o sono reparador fosse pecaminoso; ou do velho ‘Trump’ que tem comichão
de subjugar o mundo, mas recuou diante dos intrépidos chineses que o chamaram
para a briga. Tem também um ‘ex-ministro assediador’ e mais gente desimportante,
mas não vou me agastar com essa caterva e me atenho à Manekinha.
Essa menina atrevida tomou a
minha cadeira e nela se aninhou. Depois, não contente, começou a destruir aquilo
que foi minha cadeira e agora é seu berço. Embora contrafeito, decidi dar uma ajeitada
nessa coisa, fixando nela um pano, que não é um pano qualquer, mas uma camisa
que usei por alguns anos. Essa camisa frequentou salas de aula, sabia? Agora, aposentada,
serve de lençol para essa menininha que nunca frequentou uma escola, né mesmo,
Maneka?
Gosto da Maneka, mas ela já me
deu muito trabalho. Sapeca, logo nos primeiros dias a danada pegou e comeu o
pinto do vizinho. Não sei se o vizinho deu falta do penoso, mas como ele nunca me
falou nada, deixei pra lá.
Noutra vez foi um filhote de pombinha
silvestre. Eu, prevendo o que aconteceria, fechei o portão, trancando-os para
que não descessem ao quintal, porque lá estava o “menininho” ensaiando seus
primeiros passos (ou melhor, voos). Parece que o “garotinho” se animou e resolveu
dar um rolê, invadindo “terras estrangeiras”, e foi implacavelmente abatido
pela Maneka. Cortou-me o coração quando tirei das ‘mandíbulas manekinas’ a criaturinha trêmula, tentando
respirar.
Gosto de animais e
particularmente de cães. Gosto de todos os cães, mas gosto particularmente da
cadelinha Maneka. Por que esse chamego tão especial com essa pirralha? A
explicação é muito simples, e talvez convincente.
Amar eu amo as pessoas, mas esse
amor, que nem sempre é natural, é muitas vezes forçado. O amor não é movido por
uma força gravitacional; ele depende da nossa vontade. Amar é um esforço que se
faz cotidianamente, um sacrifício ou uma penitência mesmo. Mas é preciso amar!
O gostar é diferente, porque é
gostoso e espontâneo. Gosto de bichos e gosto de algumas pessoas. Parece que
houve aqui um sincericídio. Se sim,
me desculpe, porque escapou.
Da Maneka eu gosto, e gosto
muito, sabe por quê? Porque a Maneka é a única criatura que lambe meus pés. E
isso não é pouco, porque eu mesmo nunca lambi o pé de ninguém. Nem da Maneka.
FILIPE






