sexta-feira, 21 de março de 2014

ÁGUA



O Sudeste vai virar deserto? Decerto que não, mas os nordestinos estão em melhor sorte do que os “sudestinos”, pelo menos em números pluviométricos.  No Nordeste tem chovido mais que no Sudeste, e isso tem afetado humores e planos de políticos paulistas. O governador do estado, que gosta de se apresentar como médico, mas do ofício deve ter aprendido apenas a aplicar injeção – vira e mexe está ele na TV com uma agulha espetada em alguém –, anda em apuros. Sem a colaboração de São Pedro, seu melhor “cabo eleitoral”, sua “re-re-re-eleição” poderá ir para o ralo. Sem água em casa, o eleitor dificilmente votará num grupo – há duas décadas encastelado no poder estadual – que não investiu um vintém em infraestrutura hídrica para seu povo. É esperar para ver, mas nem sei se quero mesmo que chova este ano, sabe?... Xô, Geraldo Agulha!

Nunca desperdicei água e nem outra coisa nesta vida que Deus me emprestou. “Econômico” poderia até ser um de meus sobrenomes, pois costumo ser bastante ponderado nos gastos. Não frequento shoppings, leio jornal alheio e evito ir ao cabeleireiro. Talvez isso tenha me proporcionado algumas frustrações amorosas pela vida, que já se alonga. A julgar pelo que ouvi recentemente de um irmão... Com inesperado exagero, ele disse que meu cabelo está tão mal cortado, que parece ter sido aparado a facão. Assim não vale, mano!

Mas, voltando à economia de água, quero registrar um fato pitoresco. Certa vez, decidi reaproveitar toda a água utilizada em casa. Naquela ocasião, um amigo, que costuma me acompanhar nestas mal traçadas, viera me visitar. Expliquei a ele que eu estava usando toda a água da lavação de verduras na rega de plantas etc. Ele aprovou maravilhado. Disse-lhe também que a sobra dessa água era armazenada nuns baldes para lavar a área e outras partes cimentadas do quintal. Gostou, tornando-se ainda mais encantado. Eu ia me animando com o que lhe dizia, pois ele me parecia cada vez mais entusiasmado. Mas... “Pra que aquela bacia embaixo do chuveiro?” – perguntou-me entre curioso e irritado. “Ah, eu me esqueci de avisar. É que o banho deverá ser tomado assim: você pisa dentro da bacia, abre o chuveiro e toma seu banho normalmente. Após terminar, despeja a água da bacia naquele balde que está lá dentro. Assim, quando você fizer “aquelas coisas”, aproveita a água do banho para a descarga na privada!”.

Custei pra perceber, mas o silêncio do amigo, desta vez me olhando fundo, não era mais de admiração. “Não, assim já é demais! Economia tem limite. O que você faz com a água da pia da cozinha, tá certo. Mas... Tira aquela bacia de lá, pois assim eu nem tomo banho! Pra mim, você tá doido!”. Tentei disfarçar minha vergonha diante do amigo e retirei balde e bacia do banheiro, para nunca mais voltar com eles pra lá.

Mas, pensando bem, e se começar faltar água?... Será que custa caro um balde? Ainda há bacias nos armazéns? Preciso ver essas coisas...

FILIPE

sexta-feira, 7 de março de 2014

PLIM PLIM


Eles desde sempre estiveram na lista da Forbes. Mas o que significa “estar na lista da Forbes”? O que é a lista da Forbes? Ninguém se interessava por tal ranking até que um indivíduo falastrão, de nome “Aique” (assim se pronuncia por exigência do próprio), apareceu ranqueado como o homem mais rico do Brasil. Esse cidadão, pra lá de brega, chegou a expor um carro de luxo em sua sala de visitas como se fosse uma árvore de natal. Era “apenas” o oitavo no mundo, mas, de repente, ficou pobre. Pobre assim como nós. Com a diferença de que, embora ostente lá seus milhões, ele deve. Deve..., que dá tristeza na gente. Morro de dó, e tenho até vontade de promover uma vaquinha pro seu lanche da tarde. Uma pena, pois dizia sempre que seu sonho era tornar-se o homem mais rico do planeta.

Mas a família mais poderosa do país não é a do cervejeiro que está no topo. Nem a de banqueiros, que têm “banco cativo” naquela revista.  Essa família começou a fazer fortuna no regime militar, beneficiando-se dele para construir um império com centenas de emissoras de rádio e televisão. Quando a “nau golpista” apresentou furos no casco, embarcou nas “diretas já”. A partir daí, continuou agindo subterraneamente para proteger seus apaniguados em todas as esferas da República. Quando o patriarca bateu as botas, seus órfãos não ficaram na miséria. Agora a tríade herdeira é dona de uma bagatela estimada em 27,3 bilhões de dólares. Entre seus inúmeros negócios, está a participação em telefonia móvel como sócios da Vivo. Para se ter uma ideia de quão rendoso é tal empreendimento, o segundo homem mais rico do mundo é dono da Claro.

Mas o que significam 27,3 bilhões de dólares? – Quase nada. Mas daria para comprar, com folga, todos os imóveis residenciais de Juiz de Fora (meio milhão de habitantes) e tornar os juiz-foranos – absolutamente todos, sem exceção do meu amigo – inquilinos “globais”. É pouco? Ainda mais: com essa quantia, usando cédulas de cem reais, poderia ser construído um cinturão capaz de dar duas voltas e meia em torno da Terra na Linha do Equador. 

Um dos textos litúrgicos desta semana não deixa dúvidas: “É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”. Longe, mas muito longe de eu desejar o inferno para esses aí em cima, ou para outros que me fogem à lembrança no momento, desejo o céu para todos. E como desejo!  Sei que Deus não manda ninguém para as “labaredas eternas”, e seus inquilinos são todos uns “esforçados”. Deus respeita nossas escolhas, embora as lamente sempre. Mas, com inferno ou sem inferno, fico pensando: seria possível alguém acumular tanta riqueza honestamente? Claro que não. Já escrevi sobre isso e não quero me alongar, mas repito: são todos ladrões.

Então, antes de ligar seu televisor para assistir ao J.N., pense nas “verdades” que ouvirá proferidas pelo âncora. Talvez ele não diga, mas seus patrões estão em débito com o Fisco. Aquela tríade contesta na Justiça e não quer pagar uma diferença de “apenas” um bilhão de reais. Ou dois bilhões, conforme afirmam pessoas maldosas e fofoqueiras. Isso é nada perante um patrimônio de 70 bilhões de reais.

Reflita comigo: se você não pagar o IPTU, vai morar embaixo do viaduto, certo? Se não pagar o IPVA, andará a pé, de acordo? Mas... E a família Plim Plim?...
FILIPE

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

FELDADE



Feldade: O que denota fel; o que se refere a amargo; acrimonioso, amaro. “As suas palavras exprimiam uma recôndita feldade, não obstante a tentativa de disfarçá-la” – Ob. Comp. de A. I.

Caro e raro leitor, a definição de “feldade” não pode ser encontrada em dicionário, porque este verbete não existe oficialmente; muito menos “A.I.” (autor inexistente) de cujas “Obras Completas” foi extraída a frase que ilustra o emprego do termo ora criado.

Digo “não existe oficialmente”, pois não se pode apontar, jamais, a inexistência de uma palavra. Toda palavra passa existir a partir da primeira vez em que é pronunciada, e se consolida através do registro gráfico em algum texto, obra literária etc. Dessa forma, uma palavra pode sobreviver por apenas alguns instantes ou varar milênios. Quem foi o primeiro a pronunciar e a grafar a milenar palavra “Roma”? Não se sabe e nunca se saberá – diversamente de “brandonice” e de sua irmã “feldade”, que acaba de ser gerada e cuja paternidade assumo. Fuçando na WEB, porém, pode-se deparar com esta “cria”. Há pelo menos dois textos cujos títulos se compõem deste “meu” verbete. Mas estão trocando as biroscas e confundindo “fealdade” com “feldade”. A primeira é filha legítima da Língua Pátria. Está dicionarizada e é associada ao antônimo de belo, ao feio; enquanto que “feldade” – esta bastardinha que tentei registrar no “Dicionário inFormal” – se relaciona a fel, pois assim eu quis.

Bastarda ou não, esta palavra tornou-se o domínio deste novo blog que ora lhes apresento. Sob o signo de “FELDADES” pretendo dar continuidade por algum tempo às quinzenais publicações. FELDADES sim, pois a vida que concebo é permeada de fel. É amarga, como amargo é o mate que me acompanha durante estas errâncias; ou o chocolate, o lúpulo, o tanino, o cotidiano, a saudade. Venham comigo e não me deixem a sós, pois um homem solitário é um homem amargamente perigoso.

P.S.: Também disponível em: 
http://feldades.blogs.sapo.pt/
com facilidade para publicar comentários.

FILIPE

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

DONA BILINHA



Poucas pessoas eu conheci como a dona Bilinha. Imagino que seu nome de batismo seja Isabel e o apelido Belinha. Para nós, no entanto, seu nome era “dona Bilinha”, exceto para papai e mamãe, que eram seus compadres, e um irmão, seu afilhado, quem tinha a prerrogativa de dizer “madrinha Bilinha”. Isso posto, vamos ao que pretendo registrar.
Dona Bilinha era uma infatigável senhora. Tinha marido e uma penca de filhos pequenos para cuidar, mas estava sempre a nos ajudar. Mamãe, por ser epilética, tinha dificuldade com a serviçama de casa. Papai saía sempre muito cedo para seu labor diário e nós ficávamos por ali sendo cuidados pela mamãe – e cuidando dela também. A irmã mais velha, que naqueles tempos era muito nova para assumir responsabilidades, já ensaiava os primeiros passos de governanta, mas quem nos assistia de vez em quando era a “fada madrinha” dona Bilinha. É claro que tivemos valiosas ajudas de outras pessoas, de tias, por exemplo, mas hoje me atenho à dona Bilinha.
Ela chegava cedo à nossa casa. Cumprimentava mamãe, tomava um golinho de café, segredava algo com a irmã mais velha e logo já estava com a “mão na massa”. Com um lenço amarrado na cabeça, para melhor execução do serviço, entrouxava toda a roupa suja da família e pedia ao maior dos pequenos que levasse para a “mina” (uma pequena caixa d’água na nascente do sítio). Com o auxílio da irmã mais velha, trocava os panos de toda a criançada aproveitando para lavar aquela última roupinha também. A mulher era mesmo um foguete. Em pouco tempo, tudo estava estendido para secar na cerca de arame farpado que protegia a casa. A roupa, que antes estava suja e mal cheirosa, agora ficou limpa e perfumada que nem... que nem a alma de Santo Antônio.
Nunca mais vi dona Bilinha. Cresci, fiz-me homem e passei a cuidar de minha vida e também da minha roupa. Soube recentemente que já há muito falecera. Dona Bilinha muito fez por nós crianças. Eu, um dos mais “eradinhos da manada”, deveria ter sido mais atencioso e feito ao menos uma visita àquela querubínica senhora. Nunca fui visitá-la. Aliás, nem sabia onde passou a morar desde que deixara nossa terra e se mudara para Volta Redonda. De seus filhos, lembro-me de alguns: do caçula, Donizete; da Margarida, com apelido de Gaída; e da Ana, de cabelos anelados conforme diziam. Eu, sem saber o significado de “anelado”, pensava que seus cabelos fossem de “melado”, o que me deixava bastante curioso e com vontade de pegar naqueles cachos para ver se eram mesmo doces.
Histórias como a de dona Bilinha me fazem refletir. São tantas “Bilinhas” por aí fazendo caridade... São os “abnegados do Reino”, que deixam seus muitos afazeres para fazer algo por alguém. Como disse recentemente um pregador: “Se precisar de alguém, procure quem está ocupado; jamais terá ajuda de quem está à toa”. Segundo este, Cristo somente chamou aqueles que estavam trabalhando. “Tente pedir a um desses sentados na calçada que lhe ajude a fazer um serviço. Ele sairá com um pedaço de pau atrás de você!”, provocou.
Pois dona Bilinha era pobre, cheia de serviço e mesmo assim ia ajudar sua comadre adoentada. Teve, além das bênçãos divinas, a gratidão e o carinho de meus pais. Mas talvez, em seus últimos dias, ela tenha precisado de alguém. E eu não me fiz presente.

FILIPE                                                                                                                                                             



 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O SOLAR DOS MOURAS





Ardendo sob o sol de janeiro, percorríamos o íngreme caminho. Estava eu na doce companhia do Freizinho (um irmão) e de papai. O velho nos ciceroneava contando histórias de antepassados que viveram por aquelas bandas. Parando de vez em quando numa sombra à beira da estrada, fomos subindo, subindo, até avistar ainda ao longe o imponente casarão. A lendária sede da fazenda Boa Vista, erguida na segunda metade do século dezenove por meu trisavô Germano Antônio de Moura, pai de meu bisavô Germaninho de Moura, parecia nos esperar. Nela o patriarca Germano deu início à saga dos Mouras em terras de Guiricema –  um  aprazível rincão das Gerais. Sebastião de Moura, o filho mais moço de Germano, herdou a propriedade e nela criou sua “pequena” prole de quinze filhos. Seu Tatão, como era conhecido, era homem refinado e costumava gabar-se de ter estudado no famoso Caraça; tinha cultura acadêmica e usava o artesanato como hobby.   Assim, por mais de cem anos, a herdade fora ocupada pelos Mouras e seus agregados.  E a estradinha, hoje deserta, era continuamente transitada por inúmeras pessoas descendo ou subindo, no solado ou em cavalgaduras.

Ao me aproximar do edifício fui tomado por um misto de fascínio e tristeza. As janelas fechadas pareciam enlutadas pela ausência. O soberbo frontispício, resistindo heroicamente às intempéries dos anos, mira o horizonte numa eterna busca pelos que partiram. Aquela majestosa casa – que fora palco de concorridos folguedos, banquetes e rezas; e de Jubilosas chegadas e funéreas despedidas – assiste impotente e solitariamente à sua lenta e inexorável decrepitude. Seus cômodos estão nus. No interior, nenhum móvel, ou nada que possa lembrar o faustoso cotidiano das sucessivas gerações que por ali passaram. No entorno, o vicejante e atrevido matagal já espreita as carcomidas portas e janelas numa ousada e intrigante curiosidade.

Entrar naquele casarão é absorver um pouco da atmosfera dos antigos ainda do tempo do Império. O majestático pé-direito e a disposição dos cômodos; a largueza da sala de visitas precedida por uma saleta de espera; a sala de jantar e a monumental cozinha que fora ainda maior nos tempos dos “desbravadores”; os quartos de dormir – vários e aconchegantes. A casa fora construída originalmente com dez confortáveis cômodos, afora anexos e dependências externas como varanda, tulha, paiol, moinho, banheiro e outros dos quais nem as ruínas permanecem.

Várias são as histórias sobre o casarão: míticas e fatuais. Diz-se que é mal-assombrado, e que muitos já tiveram que abandoná-lo por tal razão. Surpreende-me o bom gosto dessas “coisas do outro mundo” ao escolher tão belo castelo. Conta-se também que ali, por razões passionais, ocorrera crime de sangue. Fato que macula tornando tristemente lúgubre aquele rico monumento.

Tal como uma sentinela em contínua vigília aquela “catedral”, que é o “Solar dos Mouras”, continua lá.  Encravada na montanha, espera pelos que desceram e se esqueceram de voltar. Ela parece não se dar conta de que o destino último de todos é a descida. Descer é a sentença derradeira: descer a montanha, descer à cova, descer...

FILIPE           

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

PERDAS

Perde-se sempre, e sempre se perde na busca
de um dia não vivido.
Da tarde de um domingo esquecido,
escondido nas entranhas do passado.
Abundante e traiçoeiro passado!
És tu que afugentas o futuro e o presente ofuscas?!


Perde-se sempre, e sempre se evita a perda.
Se o futuro não se faz presente
e o passado nada mais representa...
Então, o que fazer?...
Nada a fazer.


Esperar que nada aconteça é espreitar o vazio.
É o fim das lustrosas ilusões,
das esperanças vãs.
Quem espera quase sempre não alcança;
quem alcança, não espera alcançar sempre.
Mas, perdas..., sempre as há.


E a vida vai escorrendo
sobre as pedras da estrada, da escada.
Nesta escada fica, em cada degrau,
um pouco de vida não vivida.
Fica vida nos desvãos da escada,
como sombras.

Que sobram
lôbregas, pavorosas,
de um sonho interrompido.
Mas continua a assombrosa escalada.
No final, sobra-se só.
Soçobra-se.

FILIPE

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NOTA: O outro blog está ainda mais complicado. Muitos comentários estão sendo misteriosamente apagados. 
Prenúncio do fim?...

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

DOIS JOSÉS



Um José é aposentado e tem mais de oitenta anos. Gosta de jogar cartas, de escrever, ler e de navegar na internet.

O outro José também é aposentado. Tem menos de oitenta anos.

Um José levanta bem cedo, trata dos animaizinhos, faz seu café e suas orações e dá uma volta no quintal à procura das saúvas que costumam devorar suas plantinhas.

O outro José levanta cedo.

Um José gosta de passear. Costuma visitar um parente, um amigo ou alguém doente. Anda mais de uma légua até a igreja para não perder os dominicais ritos sagrados.  Embora goste de caminhar, não dispensa a garupa de uma moto.

O outro José gostaria de passear, de visitar um amigo ou parente, mas...

Um José não costuma receber ordens; se as recebe, refuta-as ou as ignora. Conhece bem a vida e costuma dar lições aos mais jovens de como vivê-la. Está sempre solícito para atender alguém; e quando chega um amigo ou conhecido, este não sai sem um punhadinho de prosa e um golinho de café.

O outro José recebe ordens e as cumpre. Não costuma receber visitas.

Um José gosta de viajar. De vez em quando pega um ônibus e vai visitar um filho distante ou um compadre. Participa de excursões devocionais.

O outro José quer viajar.

Um José, em suas “exacerbações”, realizou um antigo sonho: cruzou o Atlântico para conhecer o Velho Mundo.

O outro José também sonha, mas não se lhe permite sequer cruzar a rua.

Um José tem atividade política e participa da sua associação de classe como membro eleito da diretoria. Também costuma representar seus pares em seminários etc.

O outro José é inativo politicamente. 

Um José é livre para viver a vida e sonhar seus sonhos. Mesmo tendo mais de oitenta anos ninguém ousa aborrecê-lo, ninguém lhe tolhe direitos, ninguém lhe impõe deveres.

O outro José não está livre. Embora ainda “bem moço”, tolhem-se-lhe a vida.

Um José está na sua casa. É amado, respeitado pela família, prestigiado na comunidade e feliz.

O outro José está no exílio, digo, asilo.  Não é amado.

josés e marias, octogenários ou quase, plenamente ativos. São artesãos, clérigos, escritores, hortelãos, estadistas etc. Outros, porém, estão encarcerados.
FILIPE