Caso tu queiras me acompanhar nestas
linhas, já vou avisando: o assunto de hoje é inglório. Falarei de política e
sem floreios poéticos. Portanto, não te aborreces, raro leitor. Vai para o
“feice”, aquela avenida iluminada, e me deixa só, na escuridão deste beco.
De uns tempos para cá, preocupam-me
os (maus) ventos que sopram na política nacional. Tenho lido vários depoimentos
que servem de reflexão para os mais jovens – ou gente antiga com algum problema
de memória. São de pessoas que, contando suas experiências, defendem
apaixonadamente o atual governo devido aos avanços sociais nesta última década,
mas que estão temerosas. Eu não chego a tanto, pois sou propenso a criticar
governos: seja este, os anteriores ou futuros – fruto de meu modo ranzinza de
enxergar as coisas. Mania de velho.
Os ventos, porém, prenunciam
tempestades que ameaçam vir inexoravelmente. O PSDB, que tenta suceder a
coligação capitaneada pelo PT, não é um paladino da democracia nem da decência
administrativa. Os tucanos são bons de bico, mas não aceitam contestações. Como
professor do estado de SP, há mais de vinte anos, posso dar provas disso. Aos
fatos:
Durante uma assembleia do
magistério no vão-livre do Masp, a polícia de Mário Covas jogou bombas na multidão
que ali se aglomerava. Balas de borrachas foram disparadas e muitos professores
se feriram. E olhe que não havia baderna. O movimento era pacífico, sem
quebradeiras, bem diferente das manifestações de junho de 2013. Eu estava lá.
Noutra mobilização da categoria,
já no governo José Serra, os ônibus que partiam do interior para a capital
levando professores eram sistematicamente parados pela polícia para “vistoria”.
Muitos daqueles coletivos tiveram que retornar, não podendo chegar até a capital.
Havia sempre um “pneu careca” ou algo semelhante. Meu ônibus foi “vistoriado”.
Nos tempos em que as escolas já
tinham ao menos uma tevê com parabólica, que jamais funcionou, eis que um
desses iluminados, não sei se Alckmin ou Serra, resolveu acrescentar mais tevês:
uns caixotes imensos, pesadíssimos, que nem tinha como serem instalados,
chegavam. Numa escola em que trabalhei havia quatro daquelas “jubartes” sobre
uma mesa, literalmente encalhadas. O diretor não sabia o que fazer com aqueles
trambolhões, visto que o mercado já dispunha das levíssimas LCD. Dá pra desconfiar,
ou ainda não?...
Nestes últimos vinte anos de
mandonismo tucano no estado de SP, a educação despencou, a violência cresceu, a
saúde está coma e falta água. Vários
especialistas apontam incúria do governo paulista na gestão de recursos
hídricos. Segundo estes, a Sabesp é uma empresa preocupada apenas em beneficiar
acionistas e que nos últimos anos alguns bilhões de reais foram lucrados e
distribuídos aos sócios. É o hidronegócio, entende?!
O governador de SP, recém-re-re-reeleito, foi vitorioso em 644 dos
645 municípios paulistas, perdendo apenas em Hortolândia. Um desempenho de fazer
inveja em “divindades” como Bashar Al-Assad, “rei” da Síria e Vladmir Putin, “czar”
da Rússia. Mesmo sem segurança, saúde, educação e água, o “imperador”
bandeirante consegue se reeleger folgadamente no primeiro turno. Isso é que é
aparelhamento do Estado. Imagina essa turma em Brasília!
Por essas e outras é que fico com
dona Dilma. Dela pode-se se dizer que é tosca, feia, gorda..., mas é honesta. Nunca
se publicou uma única frase em que é acusada de ser ladra ou vadia. E ainda
governa para os pobres! Se a classe alta prefere o playboy, é porque essa guerreira não a beneficia. O que pensas tu?
FILIPE